Quando a saudade grita: "ai, não vou aguentar!"
E o relógio faz que não segue adiante,
Parta ao encontro de seu amor — decole, amante!
Ali, sorrisos e beleza têm lugar.
Em espelho d’água, sob a luz do dia,
O noturno monstro enfrenta a própria face:
Mesmo que uma marca muito o machucasse,
Nada era ruim — tanto quanto temia.
Do modesto casulo à plenitude,
Desejo-a toda! E todas são ela:
A fogosa fêmea, que desnudo bela,
Uma ingênua moça, que sonha amiúde.
Insaciável de tanto desta vida,
Tranquiliza-se apenas no meu amor.
“Borboleta-musa! Onde você for,
Estaremos juntos, rainha querida”.
Vem, pousa seus olhos nos meus; pousa em mim!
Tanto tempo quanto... Bem mais que bastante!
Pois duas almas afins — amigos, amantes,
Pedem a vida toda: e o amor diz “sim“.
Good-humored and bad-mannered
His rough voice hid a gentle heart.
He’d hug and help — then suddenly fart..!
That was our friend; that’s to be remembered.
Eyes of all world poured painful waters
Yet, the burden is on four women.
Let all Goodness and Strength be theirs,
Let our friend rest in peace: Amen.
*Em memória de um amigo dos EUA que faleceu. Ele deixou esposa e três filhas. Era querido por muitos e tinha por lema "Família em primeiro lugar": um homem que soube amar. Descanse em paz, "Tonka".
Três moças papeiam na mesa do bar.
Entre risadas e gestos docemente agudos,
As belas beliscam besteiras — gostosas..!
E atenções salgadas de lobos famintos.
Elas só molham suas bocas no álcool,
Mas inundam de sangue mil olhares lupinos;
De inútil tristeza, o invisível romântico;
Por fim, encharcam certos sonhos secretos
Colados a emblemas varões solitários.
No calor estalado dessas duas bocas,
Com beijos, trocamos pedaços nossos:
Passo os dias seguintes da vida contigo,
E esse gosto de carne molhada
Em amor.
Tudo tão e tantas, que este bardo abusa:
Pinta vários versos pra muitas mil musas.
De uma inspiração bem mais do que infiel,
Ele ainda crê que um só amor é o céu.
Como afastar meus olhos dela?
Quisera domá-los, e, no entanto,
Castigam refugos de homem na cela
Do mais angustiante e solitário encanto.
Sinto a magia branca e dourada emanar
De seus sorrisos suaves — os mais femininos
O nariz expressivo, por qual me fascino
E a profundeza clara dos seus olhos-de-mar.
A cada vez de ti, mais a desejo
Na sede de afogar-me em ti, me encontro
Reajo a esta constatação com assombro,
Pois tudo está em minha mente: olhares, beijos.
Desnudo esse dever dito direito
De partilhar de mim mais do que aceito,
Percebo ainda alguns pedaços nossos
E agora, as dores jorram de dois poços.
Mais sujo da amargura cristalina,
Assumo a tatuagem da menina
Ferida autoinfligida, consciente,
No entanto, a sombra não me sai da mente.
Se arrisco, sei: não me pertenço tanto
Por isso, bem prefiro aqui, o meu canto
Que outra tatuagem, assim, tão cedo,
Vai me fazer partir de mim em mil medos.
Percebo, pois, nas rachaduras dadas
Felicidades superestimadas.
Como fazer amor com a beleza?
A poesia responde do jeito que sabe;
Sempre envergonhado, sem admitir-se,
E já nu por letras afogadas em solidão latejante:
O amor que posso fazer com a beleza
Cabe na brevidade mesquinha de um roçar.
É quando seus olhos escorregam nos meus,
Mas, caros, fazem questão de fingir que não.
Insatisfatoriamente resignado, sorvo migalhas;
Lembranças de uma janela miserável de expectativas,
Azedo momento de simétrica graça — e perjúrio.
Irreconhecível, e, no entanto, homem,
Agradece aos acasos da natureza:
Por pelos e pau e a voz escura,
Além de amizades muito mais francas.
Em apenas dois dados do jogo de vida,
Soma X com Y — e tempo pra amar.
Equação sem ponteiros férteis de-pressa,
De-pressões; mundanas, de toda uma espécie.
Sorri sincero ao sangrar seus genes
Com soco, faca ou beijos negados.
Violências eventuais ainda tão menores
Que a rubra regra dominadora.
Entre carinhos de olhos conversadores,
Percebo-me mais — e tão mais — em ti
Somos muito do mesmo: com óleos e cores
Pintados pra mundos que não este aqui.
Seguro tuas mãos e rouba-me um beijo
Então, toco tuas costas com menos pudor
Sinto-te, aos poucos, mulher — e dardejo
Em teus lábios mais um pedacinho de amor.
O abraço macio, que não quer largar,
Supera o silêncio da timidez:
“São almas pra si. Sentir é seu ar.”
E os olhos se tocam mais uma vez.
(Together we could
Be like this all night
It just feels good,
It just feels right.)